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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Afrorresilientes - A perspectiva da Militância Negra Feminista



No dia 07 de novembro, as 18:30h na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação o Coletivo Negração estará realizando uma mesa de mulheres negras pra debater as diferentes perspectivas de militância dentro da sociedade racista e machista em que vivemos.A partir da visão de quatro mulheres negras, a atividade visa levantar a discussão sobre as  diferentes perspectivas de militâncias e estratégias na luta antirracistaAFRORRESILIENTES tem como motivação a resistência das mulheres negras e a perspectiva de avançarmos na nossa luta e organizaçãoComporão a mesa: 
Winnie Bueno
  • Winnie Bueno- Graduanda do curso de Direito da Universidade Federal de Pelotas e Militante do Coletivo Juntos.
                                
    Maria Conceição
  • Maria Conceição Fontoura- Mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul(1987). Técnica em Assuntos Educacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Ong Maria Mulher

                                                

  • Pâmela Amaro - Atriz. Professora de Teatro. Cantora. Compositora. Instrumentista. Graduada em Teatro – Licenciatura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atua nos espetáculos “Ayê”, "Lupi, o musical - Uma Vida em estado de paixão". Uma das fundadoras e colaboradoras do Sarau Sopapo Poético- Ponto Negro da Poesia.

                                                   
  • Vera Rosane Oliveira- Doutora em Educação/UFRGS; Militante do Quilombo Raça e Quilombo Raça Classe da CSP-CONLUTAS.

A atividade será realizada a partir das 18h30, 07/11 (sexta) no Auditório I da FABICO da UFRGS, Rua Ramiro Barcellos, nº 2705- Campus Saúde.ENTRADA GRATUITA

Dúvidas e mais informações sobre a atividade entrar em contato pelo email: negracao@gmail.com ou pela página do FACEBOOK: 
https://www.facebook.com/coletivo.negracao?fref=ts
 Contamos com a sua presença e também com a ajuda na divulgação em suas redes de contatos.
Asè!



sábado, 31 de maio de 2014

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Lideranças Negras Femininas: reflexões sobre gênero, cor e classe social,

Curso de extensão Lideranças Negras Femininas: reflexões sobre gênero, cor e classe social, organizado pelo Departamento de Educação e Desenvolvimento Social juntamente com o Departamento de História da UFRGS. O curso objetiva refletir sobre a participação política e social das mulheres negras na história.
No ano passado, foi feita uma primeira edição sem o recorte de gênero e foi uma experiência bem sucedida, mas uma das reflexões finais foi a necessidade de tratar o papel da mulher negra.
Para esta edição, estruturou-se o curso em 4 encontros (30/05, 23/7, 25/8 e 26/9) com os seguintes grandes eixos: Gênero, Política e História; Movimentos Sociais; Memória e Cultura; Escolaridade e Universidade, onde pretendemos discutir relações de poder e sujeitos de direito, protagonismo e autonomia, juventude militante e lideranças femininas.
O curso é gratuito e voltado para educadores, estudantes e organizações da sociedade civil e terá lugar no Auditório da Faculdade de Arquitetura da UFRGS – Rua Sarmento Leite, 320.

(texto fonte Catarse - Coletivo de Comunicação)


quarta-feira, 30 de abril de 2014

Racismo no futebol, que novidade!

As denuncias aos casos racistas esse ano, coloca em pauta uma discussão antiga. O que começou com Tinga e com o arbitro Márcio Chagas da Silva tem continuidade essa semana com a atitude inusitada de Daniel Alves. O jogador comeu uma banana que foi arremessada em sua direção ao cobrar um escanteio no jogo Barcelona x Villarreal no Campeonato Espanhol.


A sociedade futebolística, depois de anos ignorando os inúmeros casos de racismo no futebol está cada vez mais se pronunciando. A agencia publicitária de Neymar  lançou a campanha na internet #somostodosmacacos e, como na maioria dos debates sobre qualquer problema social pautado mídia e seus ascensoristas , o tiro saiu pela culatra!

‘Macaco’ é um termo racista advindo de teorias racistas do início do século XIX que colocava que negros tinham características genéticas que se assemelhavam as de macacos, de que negros eram menos ‘evoluídos’ e isso justificou por muito tempo o trabalho escravo e o genocídio do povo negro. Atualmente o conceito de raça biologicamente já foi superado, contudo no imaginário social o racismo está alicerçado em nossa constituição social, ele é estrutural em nossa sociedade. Ou seja, cabe a nós combatê-lo diariamente, e pra isso, o primeiro passo é reconstituir essa história, e nela, macaco é um termo racista sim!



Não queremos entrar no mérito de quem aderiu essa campanha, problematizamos aqui o ‘macaco’ e também a hipocrisia dos ‘famosos’ que se utilizam do sofrimento causado pelo racismo pra se promover sem a mínima reflexão sobre o que significa tal termo. Sem a mínima implicação referente a questão racial, sem reconhecer o lugar de privilegio que ocupam. Sem reconhecer a herança concreta e simbólica herdada do racismo.

Se a ideia inicial era ‘mexeu com ele mexeu comigo’ uma questão é importante: não somos todxs iguais, e nem queremos/precisamos ser. A diferença é o que nos torna únicos, e se tratando de negros em um país que se beneficiou por quase quatro séculos de trabalho escravo, respeito às nossas diferenças e REPARAÇÃO é o que precisamos! Muito menos da falsa propagação de democracia racial.

O racismo não se discute com ‘fotos de amigos segurando bananas’. Ao trazer esta pauta para periferia, o resultado é mais do que previsível. É tiro na certa. Amarildos, Claudias, Douglas são exemplos da violência racista do Estado. Para a Polícia militarizada, que defende as fronteiras do luxo e do lixo, o inimigo tem classe e tem cor. É pobre e é negro. Não hesita em puxar o gatilho.  Com sucesso, mais um neguinho é assassinado. Esta é uma polícia de extermínio.

Onde estava toda a indignação dos famosos com os casos citados anteriormente? É muito engraçado ver que para estes casos não existe campanha de "conscientização". Pelo contrário, as justificativas se somam, no jornal, no programa pra periferia do domingo, na telenovela. Importante lembrarmo-nos do texto escrito e publicado pelo Luciano Huck que ao ter seu relógio Rolex roubado num assalto não hesitou em chamar o ‘capitão Nascimento’, figura fictícia do Tropa de Elite, pra discutir segurança pública.

Não deixemos que a elite midiática nos diga o que pensar, nem aponte as saídas pra problemas que são nossos. O racismo está longe de ser superado, e enquanto houver consentimento do oprimido, os opressores continuarão a nos esmagar!

#nãosomostodsmacacos
Contra o Genocídio do Povo Negro e o Extermínio de sua Juventude


sábado, 29 de março de 2014

NOTA DE REPÚDIO A FOTOGRAFIA RACISTA FEITA PELO COLETIVO SETE/NOVE

"felicidade hoje é fantasia
O povo canta mesmo sem saber
Que a favela virou poesia
Na boca de quem nunca soube o que é sofrer" 



Blackface é quando pessoas brancas pintam o rosto de preto para caricaturar e produzir um estereótipo racista do que é ser/se parecer com um negro. Começou nos EUA onde se reproduziam imagens e, logo em seguida, programas de televisão com brancos vestidos de negros para caçoar, ridicularizar e animalizar a imagem do negro. Blackface ofende, caçoa e oprime profundamente.
    Na última semana uma organização de fotógrafos de Porto Alegre chamada sete/nove com o intuito de divulgar um evento pra uma festa denominada “Selva” usou uma modelo branca para caricaturar uma mulher negra e mais outros modelos brancos caricaturados de índios. A Blackface chamou muita atenção, pessoas reclamaram, muitas delas mulheres negras e com essa ação de repúdio a postagem tiveram seus comentários ignorados e apagados. O silenciamento em cima das acusações fizeram com que o dialogo ficasse impossível, observamos que isso é a mesma opressão que acontece diariamente, contra as ditas ‘minorias’, que ao invés de retratar o erro, silencia aqueles que acusam e dizem que “racismo está nos olhos de quem vê”.   A foto foi retirada do ar, mas a festa continuou intacta.
Essa atitude não é nada inédita nem inesperada, é apenas resultado de um movimento que se diz  contra opressões, autodenominando-se libertário, que  ao invés de lutar contra essas opressões fazem o contrário: sustentam uma lógica hegêmonica silenciando denúncias legitimas contra o racismo e ignorando a voz de quem sofre com as opressões racistas e machistas diariamente.


      O COLETIVO NEGRAÇÃO TEM POR OBJETIVO ABRIR UM DIÁLOGO COM OS ORGANIZADORES DA FESTA E O PÚBLICO EM GERAL, PARA REFLETIRMOS e problematizarmos a condição em que negras e negros estão colocados em nossa sociedade, que reproduz , principalmente, com as mulheres negras uma dupla opressão, de raça e gênero e até tripla opressão se considerarmos a questão de classe social. Estamos cientes da nota de “esclarecimento” divulgada pelo coletivo de fotógrafos sete/nove, mas ela não propõe e nem se redime com o erro produzido nas fotos, apenas tenta abafar mais a nossa voz ao invés de dar ouvidos as críticas e se retratar, ou seja, deveriam começar admitindo o erro cometido e buscar trabalhar o conceito de Blackface dentro do grupo para que essa situação racista não se repita. Blackface não é arte, é racismo, não precisamos entender o conceito das fotografias que o grupo tentou abordar, não somos ingênuos, brancos se pintam de negros há muitas décadas com o intuito de estereotipar, caçoar da nossa aparência e inferiorizar nossas origens. Entendemos que o racismo, tanto quanto o machismo, é algo estruturante na nossa sociedade, por isso devemos sempre desconstruir e questionar nossas ações, pois, sem notar, muitas vezes, produzimos e reproduzimos preconceitos diversos diariamente.
  Não estamos considerando aqui a intencionalidade dos fotógrafos ao reproduzirem a imagem. Essa não é uma questão para o momento. O ato de reproduzir o blackface se objetiva no imaginário social e reflete o papel do negro chacoteado . A arte não é inocente, nem “apolitica”. A arte produz e reproduz valores, modos de pensar e agir. Ter ciência disso é reconhecer a arte como potência para transformação social, é garantir que ela realmente seja democrática, chegue a todos sem oprimir ninguém. É mais do que urgente que nossos artistas (sim, porque fotógrafos também são artistas), não importa em que esfera da arte, reconheçam os atravessamentos políticos! É necessário garantir que a lógica hegemônica de privilégios que a população branca tem, seja rompida. Caros amigos da sete/nove, vocês são sim racistas e machistas, por isso é necessário que reconheçam essa condição para que, enfim, no futuro casos como esse não se repitam. Fomos construídos através de lógicas opressoras e mesmo que lutemos contra elas, possivelmente morreremos opressores. Então nos resta lutar para que essas atitudes preconceituosas e opressoras não se fortaleçam no nosso dia-a-dia e, assim, as próximas gerações conheçam outras lógicas, outras possibilidades e modos de viver.    

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Minha carne é de carnaval, não teu objeto sexual!



“... Agora, estendemos nosso olhar para observar o seguinte: Pelo menos desde o início do século XIX, a participação do povo negro nos folguedos carnavalescos brasileiros sempre foi marcada por uma atitude de resistência, passiva ou ativa, à opressão das classes dominantes. Proibidos por lei de revidar aos ataques dos brancos, africanos e crioulos procuravam outras maneiras de brincar no entrudo. Tanto assim que Debret, entre 1816 e 1831, período em que viveu no Brasil, flagrou cenas interessantes de carnaval, como por exemplo, um grupo de negros que, fantasiados de velhos europeus e caricatuando-lhes os gestos, zombava dos opressores, criando, sem saber, os cordões de velhos, de imenso sucesso no início do século XX...”. (Nei Lopes) 

O carnaval brasileiro é, essencialmente, sinônimo de cultura negra. O carnaval carrega uma carga simbólica muito forte para nós negros... É um momento de evidência, onde todos os olhares estão direcionados para nós. Talvez seja, também, o momento onde tenhamos a maior notoriedade social, onde temos uma legitimidade indiscutível... Um reconhecimento que em nenhum outro momento temos. 
Sabiamente, Nei Lopes aponta que o carnaval brasileiro, como hoje o conhecemos, surge também como uma forma de resistência do negro em relação ao branco. A primeira escola de samba é a Deixa Falar, tendo como um dos mais notórios fundadores Ismael Silva. Posteriormente outras escolas de samba surgem, como Estação Mangueira e Vai Como Pode, que posteriormente viriam a se chamar Mangueira e Portela. No início, essas escolas não tinha grandes estruturas, como vemos hoje. Carros alegóricos simplórios e poucos integrantes davam o tom da festa, onde o mais importante que a competição, era a diversão. Pouco a pouco, percebeu-se que a festa poderia tornar-se rentável... E aquela festa que era popular, passou a ser excludente. Hoje, a comunidade assiste da arquibancada suas fantasias na passarela do comércio. Com essa apropriação, houve uma transformação de uma cultura que tinha fortes marcadores populares e de  resistência em comercio.                     
No bojo do tema que envolve a comercialização do carnaval, que avança a cada ano, o assunto que mais nos toca enquanto mulheres negras é a objetificação de nossos corpos- o que para nós não é nenhuma novidade - que ganha certa ofensiva nos meses que antecedem o carnaval. A exemplo disso há pouco tempo tivemos a escolha da ‘globeleza’, uma disputa na escolha da melhor ‘mulata’.  O termo já diz, mulata é uma palavra que tem raíz na palavra mula, do latim mulus designando diretamente o animal mestiço de quatro patas. A mula é o produto resultante do cruzamento do cavalo com a burra, ou seja, passou a aplicar-se ao filho do homem branco com a mulher negra. Já pararam para pensar por que a mulher negra só aparece na televisão apenas em dois momentos: ou ela é escrava/doméstica, ou é mulata no carnaval e nessas duas visões ela está sendo colocada a serviço do homem branco. Quase que diretamente nossa representação, como mulheres negras, dentro da mídia é feita através da anulação de nossas capacidades enquanto agentes transformadores de nossa história, sendo reduzidos a corpos para serem vistos, isso quando nossas características não são usadas de forma a  nos menosprezar como acontece frequentemente em programas de “humor”. Isso com certeza tem uma raiz histórica, esses papéis apresentados na mídia são reflexos de um tratamento herdado do tempo da escravidão, nesse tempo as mulheres negras eram constantemente estupradas pelo senhor branco e carregavam o papel daquela que deveria servir sexualmente sem se opor, apenas aceitando o “destino” que lhe era concedido. Hoje nós, mulheres negras, continuamos atreladas àquela visão racista do passado que dizia que só servíamos para o sexo e nada mais.
A carne mais barata ainda é a nossa, a carne do deboche, do comércio ilegal, a carne que é alvo das balas “perdidas”, que coincidentemente tem sempre um destino certo, ainda é a carne negra. O nosso carnaval não é só festa porque ainda vivemos em um sistema que mercantiliza nossas vidas, nosso corpo e nossa sexualidade. Sendo assim, e entendendo que esse mesmo sistema se vale do racismo, machismo e tantas outras formas de opressão existentes em nossa sociedade, não comemoramos nem um pouco ao ver os corpos de outras mulheres negras sendo expostos em uma “competição” em rede nacional.
A Globeleza representa a nossa exploração, representa o quanto ainda nos tratam como se só fossemos feitas para o sexo e para demonstrar, dentro da sociedade, o selvagem, o folclórico. Ela representa o controle que a mídia branca e machista obtém sobre os nossos corpos, mas não se deixem enganar,  “não deixe que te façam pensar que o nosso papel na pátria é atrair gringo turista interpretando mulata.” Por isso buscamos escurecer/esclarecer aqui esse assunto que tanto nos atinge, a Globeleza não nos representa! Não aceitamos essa imagem, não somos o que essa mídia racista diz, não somos mais escravos e não aceitamos esse papel.

Confira as fotos de nossa Campanha:

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Manifesto do Coletivo Negração

O Coletivo Negração vem por meio deste manifestar-se acerca dos casos de racismo que vem ocorrendo nas dependências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Durante algum tempo recebemos denúncias de racismo dentro da Universidade envolvendo toda comunidade universitária: PROFESSORES, alunos, servidores e trabalhadores terceirizados.

          O racismo institucional está de fato, instituído na Universidade e está expresso em inúmeras medidas, como por exemplo, o ingresso de um número significativo de estudantes cotistas no segundo semestre. Esta regra segrega, expõe e prejudica estudantes negros e negras ingressantes da reserva de vagas. Segrega a medida em que as turmas das primeiras disciplinas dos cursos, que são oferecidas no segundo semestre, conta com um contingente expressivo de estudantes negros em sala de aula. Prejudica a medida em que o tratamento de professores, técnicos administrativos e colegas em relação aos cotistas, é diferenciado e muitas vezes de cunho discriminatório. A restrição dos espaços de integração e confraternização dos estudantes, também mostra-se como uma medida segregacionista, os espaços da Universidade são para ser utilizados, toda e qualquer manifestação de história e cultura afro-brasileira não deve ser tolhida e sim incentivada pela instituição. A resolução 19/2011, implementada sem nenhuma discussão com a comunidade acadêmica ataca diretamente estudantes trabalhadores, que em geral são cotistas, muitos deles pobres, negros e mães.

 Com base nesses fatos e denúncias, nos levantamos em uma CAMPANHA CONTRA O RACISMO, sendo ele fora ou dentro desta universidade. Casos ocorridos como na Escola de Enfermagem que envolve a perseguição e ofensa a alunas negras e cotistas, não serão tolerados e os envolvidos e envolvidas terão seus nomes divulgados, bem como devidas medidas jurídicas também serão tomadas. O racismo se constitui como um crime inafiançável e imprescritível, previsto na Lei 7.716/1989, de modo que buscaremos todas as medidas cabíveis para que os responsáveis sejam devidamente punidos. Além disso, cobramos por parte da Administração da UFRGS, um posicionamento perante os acontecimentos anteriormente citados.
Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), duas estudantes negras foram chamadas de “macaquinhas” por uma professora em sala de aula. A docente foi condenada por injúria racial e a UFPR não se pronunciou, tampouco interviu no processo, sendo o caso relatado pela própria estudante. Posturas como estas NÃO serão toleradas. Jamais esqueceremos que, o ano de 2007, no processo de implementação do Programa de Ações Afirmativas foi esta universidade que teve um de seus muros pichados com os dizeres racistas: “lugar de negro é na cozinha do RU”. O Coletivo Negração afirma:  o lugar de negros e negras é sim na cozinha do RU, nas salas de aulas, nos laboratórios, salas dos professores, limpeza de corredores, e onde mais quisermos. Cabe ressaltar que os funcionários terceirizados da UFRGS em sua maioria são negros e negras, tem menor remuneração e sofrem diariamente com a falta de pagamentos, não sendo garantido seu direito mínimo.
Estudantes negros e negras ao ingressar nesta universidade veem o início da realização de um sonho e perpetuação de uma luta. Não admitiremos que episódios de desistência e abandono de nossos colegas, sejam causados pela descriminação sofrida na Universidade. O Coletivo Negração é formado em sua maioria por estudantes cotistas, e por isso com muita propriedade afirmamos que, NÃO NOS CALAREMOS perante qualquer ato de discriminação racial ou qualquer tipo de preconceito, que seja de nossa ciência. Também somos parte da “excelência acadêmica” e continuaremos na luta por tratamento igual, pelo direito de permanência, valorização e RESPEITO às nossas raízes.




Coletivo Negração